[...] amigo, não sabes que existe amanhã?
então um sorriso
nascerá no fundo
de tua miséria
e te destinará
a melhor sentido.
Exato, amanhã
será outro dia.
Para ele viajas.
Vamos para ele.
Vencestes o desgosto,
calcaste o indivíduo,
já teu passo avança
em terra diversa
Teu: passo: outros passos
ao lado do teu.
O pisar de botas,
outros nem calçados,
mas todos pisando,
pés no barro, pés
n'água, na folhagem,
pés que marcham muitos,
alguns se desviam,
mas tudo é caminho.
Tantos: grossos, grossos,
negros, rubros pés,
tortos ou lanhados,
fracos, retumbantes,
gravam no chão mole
marcas para sempre:
pois a hora mais bela
surge da mais triste.
A Rosa do Povo, de 1945.
então um sorriso
nascerá no fundo
de tua miséria
e te destinará
a melhor sentido.
Exato, amanhã
será outro dia.
Para ele viajas.
Vamos para ele.
Vencestes o desgosto,
calcaste o indivíduo,
já teu passo avança
em terra diversa
Teu: passo: outros passos
ao lado do teu.
O pisar de botas,
outros nem calçados,
mas todos pisando,
pés no barro, pés
n'água, na folhagem,
pés que marcham muitos,
alguns se desviam,
mas tudo é caminho.
Tantos: grossos, grossos,
negros, rubros pés,
tortos ou lanhados,
fracos, retumbantes,
gravam no chão mole
marcas para sempre:
pois a hora mais bela
surge da mais triste.
A Rosa do Povo, de 1945.
- Carlos Drummond de Andrade -
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